Há algumas postagens falei sobre o prazer de comprar discos (com ênfase nos cd's e dvd's), considerando-os quase objetos de contemplação que trazem consigo e representam algo mais do que uma simples gravação com fins lucrativos. Pois bem, minhas últimas aquisições, em termos de música, comprovaram a validade da proposição.
De modo que todo o ritual, desde a escolha dos cedês nas prateleiras até sua colocação no aparelho e a escuta, como quem se diverte com um brinquedo novo, se repetiu com satisfação. Com o auxílio e a indicação do vendedor, diga-se, acertei na compra.
Levei duas belezuras, sendo elas o improvável Giving Sight to the Eye, de Kelly Keeling; e You Are here, do UFO. Este último, já conhecido. Mas não é dele que quero falar, e sim do primeiro.
O projeto de 2005, encabeçado pelo vocalista que assina o disco, Kelly Keelling, traz 11 faixas; produzidas por ele com a contribuição de um sem-número de outros músicos, mas contando com alguns nomes dignos de menção.
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| Kelly Keeling |
Além do próprio ex-vocal do Dokken, o line up conta com o baixista Tony Franklin, ex Blue Murder, e fechando a cozinha, o batera Carmine Appice, que gravou com ninguém menos que Ozzy Osbourne, participando do conturbado Bark at the moon e do clássico Ready to Strike, do King Kobra, Appice ainda integrou as bandas do redneck Ted Nugent e do sessentão Rod Stewart. Eu sei, falta alguém, pois tome: nas seis cordas, está somente John Norum, guitarrista tarimbado cujo curriculum vai de Glenn Hughes a Don Dokken; sendo ainda fundador e membro do Europe, e responsável pela fase mais virtuosa da banda - coroada com outro clássio, The Final Cowntdown, que marcou sua saída temporária em '86.
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| Tony Franklin, Carmine Appice & John Norum |
A mistura de influências tem seu risco. Os estilos contrastantes podem resultar tanto numa pluralidade rítmica e harmônica que revela ao ouvinte a singularidade de um álbum rico em referências, como no caso do Chickenfoot, disco da banda homônima lançado em 2008 sob a batuta de Sammy Hagar, quanto causar uma dissonância desagradável, como me pareceu o álbum solo, também homônimo, de Slash, de quem sou fã - apesar de deslizes como turnês com a Shakira do Norte, Fergie, e a cansativa insistência em Scott Weiland, no Velvet Revolver.
Keeling provavelmente sabia disso, não escolheu os músicos ao léu, como quem vai à feira.
Keeling provavelmente sabia disso, não escolheu os músicos ao léu, como quem vai à feira.
As canções refletem as tendências do hard contemporâneo; a nova roupagem com guitarras mais graves e baterias acereladas, algo que particularmente não me agrada, mas que nas mãos de KK & Cia ficou sensacional. Características visíveis já na acachapante primeira faixa, Rising of the Snake, iniciada com um riff pesado e contagiante seguido pelos versos rasgados de Kelly; o refrão gruda nos ouvidos e lembra tudo que Dio fez de melhor no Rainbow.
Em seguida, Parasite introduz um clima sombrio, com o timbre metálico da guitarra e os sussurros roucos do vocal, mantendo um blues acelerado durantes os versos e desembocando no refrão poderoso, acompanhado agora de teclados - é o início deles - que continuarão nas faixas seguintes.
Na terceira música, parecemos estar viajando por Stormbringer do Deep Purple, gravado 35 anos antes, mas é Broken com seu rítmo "funkeado", passagens cheias de contratempo e teclados distorcidos, que se inicia, e chega à Perfect Day que, para critérios comparativos, é igual à Find your way back home, do Danger Danger, dadas as devidas proporções entre Kelly e Ted Poley, claro.
Ground Zero encerra a primeira metade do álbum. Interessante e melódica, com o primeiro solo relevante do disco e duetos vocais e um clima medieval, apesar do nome, fica muitos degraus acima do zero.
Em seguida, Parasite introduz um clima sombrio, com o timbre metálico da guitarra e os sussurros roucos do vocal, mantendo um blues acelerado durantes os versos e desembocando no refrão poderoso, acompanhado agora de teclados - é o início deles - que continuarão nas faixas seguintes.
Na terceira música, parecemos estar viajando por Stormbringer do Deep Purple, gravado 35 anos antes, mas é Broken com seu rítmo "funkeado", passagens cheias de contratempo e teclados distorcidos, que se inicia, e chega à Perfect Day que, para critérios comparativos, é igual à Find your way back home, do Danger Danger, dadas as devidas proporções entre Kelly e Ted Poley, claro.
Ground Zero encerra a primeira metade do álbum. Interessante e melódica, com o primeiro solo relevante do disco e duetos vocais e um clima medieval, apesar do nome, fica muitos degraus acima do zero.
Na segunda metade, Perfect Day, à revelia de toda a elaboração do álbum, vem seca e direta, o que mais se aproxima das tendências atuais, embora não seja ruim; ótimo trampolim para o que vem a seguir. Believe segue também um caminho mais curto, apesar da variação rítmica bem mais interessante que sua antecessora, uma balada com fraseados e solo belíssimos.
O clima se mantém calmo em Sunlight Needs the Day, que, a bem da verdade, é uma grande balada -- a mais lenta de todas. A trinca final é composta de Hell is on the way, Peace With the World e Jesse, com destaque para a primeira; ponto alto do disco que nos remete às experiências de fusion e Hard Rock feitas no Mr Big de Richie Kotzen.
O clima se mantém calmo em Sunlight Needs the Day, que, a bem da verdade, é uma grande balada -- a mais lenta de todas. A trinca final é composta de Hell is on the way, Peace With the World e Jesse, com destaque para a primeira; ponto alto do disco que nos remete às experiências de fusion e Hard Rock feitas no Mr Big de Richie Kotzen.
Um discaço que teve preço: 15 reais. É bem verdade que demorei a encontrá-lo, afinal foram 5 cinco anos desde o lançamento. Bendito seja o vendedor e suas indicações. Espero que um dia me agradeçam também - pela indicação, obviamente.

